Depois, subiu ao monte e chamou os que ele mesmo quis, e vieram para junto dele. Então, designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar e a exercer a autoridade de expelir demônios (Marcos 3:13-15).

Interessante que em João Jesus afirma que foi o Pai que lhe deu os discípulos, mas aqui diz que ele chamou os que quis. Não há contradição na Palavra de Deus, por isso é importante entender que Pai e Filho são um só.

Lucas diz que Jesus orou a noite toda e ao amanhecer escolheu os doze. Ele orou para conhecer a vontade do Pai. Sendo assim, ele quis o que o Pai queria.

Precisamos aprender a querer o que o Pai quer através das nossas escolhas e decisões. Isso se dá quando entendemos que temos a mente de Cristo – Nós, porém, temos a mente de Cristo (1Co 2:16). Podemos pensar como o Pai, Filho e Espírito Santo pena.

O texto diz que Jesus designou doze para estarem com ele e para os enviar a pregar e a exercer a autoridade de expelir demônios. Antes de serem enviados a pregar e exercer autoridade eles deviam estar com Jesus.

Esse estar visava mais do que instruí-los. Era um relacionamento que visava transformá-los em discípulos. O Senhor da obra é mais importante do que a obra do Senhor. Estar com o Senhor visa a nossa transformação a Sua imagem. Ser discípulo é ser parecido com Jesus.

Falamos semana passada sobre o compromisso que devemos ter com Deus e a disposição de ouvir para desenvolvermos relacionamentos que transformam. Nossos relacionamentos devem ter o foco na missão que nos foi designada e não apenas na amizade que possa ser desenvolvida.

Sei que ter amizades é de Deus e importante na vida e formação das pessoas. Mas relacionamentos de amizade são limitados quando falamos sobre a missão de gerar discípulos.

Há irmãos que gostam de estar só com aqueles que ele tem afinidade ou amizade. Eles não desejam algo de errado. É errado querer ter amigos? De maneira alguma.

O que eles não entenderam ainda, é que não é necessário ter amizade com alguém para gerar um discípulo. A amizade pode até atrapalhar o processo de formação do discípulo.

Jesus não tinha amizade com os discípulos não início do processo de discipulado. Ele relacionou visando a missão de gerar discípulos, e só no final disse que eles agora eram amigos:

Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer (João 15:15).

Veja, a amizade não foi o ponto de partida no processo de gerar discípulos, mas sim o resultado. Relacionamentos que transformam nos conduzem a amizades eternas. Jesus os chama de amigos porque eles agora sabem o que faz o Senhor.

Começar pela amizade nos desafiará a vencer o problema do reconhecimento da posição que o discipulador deve ter para poder falar na vida do discípulo.

A amizade, em algum momento impede ou limita o processo formativo de Cristo na vida do outro. Isso não significa que não podemos discipular um amigo, apenas que podemos enfrentar alguns obstáculos e dificuldades.

Isso porque amigos nem sempre estão dispostos a contrariar seus amigos. Amigos esperam que quando estão errados o outro fique do lado dele sem confrontá-lo.

Por isso, eles preferem em sua maioria fechar os olhos para o defeito do outro. A um ditado que diz que a amizade é cega. Isso acontece porque o amigo tem um interesse maior, preservar a amizade. Ele não deseja perde-la! Ele não deseja moldar aquele amigo à imagem de Cristo.

Então, não permita que a amizade atrapalhe o relacionamento que visa a missão. Saiba lidar com as amizades e por meio delas construa relacionamentos que gerem discípulos. Mas lembre-se, o seu melhor treinador não é o seu amigo, mas aquele que está determinado a te levar para onde Cristo deseja, a maturidade.

Então, os relacionamentos que transformam têm objetivos, e gostaria de falar de pelo menos dois:

1. Ensinar tudo o que Ele nos ensinou

Jesus deixou claro que deveríamos aproximar das pessoas, relacionar com elas com o objetivo de ensiná-las toda a Sua vontade:

Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado…(Mateus 28:19-20).

Ir, fazer, batizar e ensinar é uma ordem de Jesus para todos nós. Deve haver uma atitude intencional da nossa parte quando nos aproximamos dos irmãos.

Você não deve esperar um sinal ou a disposição por parte deles, mas deve intencionalmente aproximar para o cumprimento da missão.

Você é um canal da bênção de Deus e tem muito a acrescentar na vida das pessoas que estão ao seu redor.

É importante entender que para alguns você só vai pregar, eles não permitirão que você prossiga. Outros você vai pregar e batizar, mas as vezes não aceitarão ser discipuladas por você.

Mas haverá pessoas que irão até o fim do processo. Agora, aceitar ser discipulada e ser ensinada necessita de aproximação, e isso acontece por meio do relacionamento.

Agora, depois de levar alguém a receber a Cristo, você deve assumir o seu lugar nesse relacionamento e não apenas crie uma amizade com esse novo irmão (ã). Volto a dizer, nada de errado em ter amizade com os irmãos.

Mas não faça da amizade um fim, mas use-a para alcançar o sucesso da missão a você confiada. Use a amizade como ponto de partida para um relacionamento que transforma.

Agora, o que significa cuidar? Cuidar significa, ensiná-las tudo que Jesus tem te ensinado, e assim, você coopera para o crescimento espiritual dos irmãos.

Por um lado, você aprendeu e precisa continuar aprendendo a crescer na vida cristã, mas por outro lado tem muito a ensinar àqueles com quem você relaciona.

O desejo de Jesus é que não sejamos mais meninos na fé e na vida cristã! Não tem nada a ver com idade natural, mas em como lidamos com os relacionamentos. Paulo deixa isso claro em Efésios 4:

Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor (Efésios 4:13-16).

Nossos relacionamentos na vida da Igreja precisam ter o objetivo o crescimento mútuo. Todos irão crescer, mas isso será pela ajuda de todos!

Você deve então estar consciente que o seu crescimento é importante. Hoje alguém pode estar investindo em você, mas amanha será a sua vez de investir em alguém.

Somos um corpo bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, se veja nessa afirmação.

Todos nós ajustamos e somos ajustados, consolidamos e somos consolidados, auxiliamos e somos auxiliados, cooperamos e somos cooperados por cada um dos membros, os irmãos!

Isso nada mais é do que vida de relacionamento! O fim dos relacionamentos é unidade. Crianças são divisíveis, por isso precisamos crescer em maturidade!

Venho a cada domingo aqui com a intensão de te alimentar para que assim você cresça. O alvo de Cristo é que deixemos de ser como meninos, inconstantes e inseguros, e assim, crescermos em tudo.

Por isso devemos ensinar o que Cristo ensinou! Não é o que você acha, mas o que Jesus acha. Não é uma questão de como você lida com as pessoas, mas como Jesus lida.

Veja, é cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo! Devemos crescer NELE. Quando isso acontece o resultado é crescimento! Nossa missão só está sendo realizada quando geramos discípulos para Jesus.

Uma boa reunião de célula e um bom discipulado só acontece quando crescimento pessoal está sendo gerado.

Isso acontece pelo enriquecimento da Palavra, pela revelação do Espírito, pela exortação em amor e pela disposição de avançarmos em fé. Paulo deixa claro que isso se dá por meio dos relacionamentos.

Juntos aprendemos, juntos temos revelação do Filho de Deus, juntos somos transformados, juntos crescemos na imagem de Cristo, juntos somos consolidados, juntos multiplicamos e juntos somos edificados! Veja, juntos e nunca sozinho!

Nossos relacionamentos é a chave mais importante e poderosa para o cumprimento da missão a nós confiada por Jesus. Somos a família de Deus!

2. Transferir uma missão

Agora, o segundo passo dentro do objetivo dos nossos relacionamentos é, transferir uma missão. Paulo disse que quando o Corpo vive essa experiência dos relacionamentos o resultado é crescimento e avanço do reino de Deus – efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor.

Veja, porque eu te discípulo, logo você discípula outro e assim por diante. Isso nada mais é do que uma transferência de missão.

É importante você entender que uma pessoa bem-sucedida é aquela que forma sucessores bem-sucedidos.

o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo; para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim (Cl 1:28-29).

Paulo compreendeu a importância de transferir a missão que recebeu do Senhor Jesus. Ele diz que se afadigava e se esforçava o máximo possível na formação dos discípulos bem-sucedidos.

Mas todo esse afadigar e esforço era segundo a eficácia do poder do Espírito Santo operando em sua vida.

Veja, relacionar com as pessoas sem saber o que fazer com elas é perda de tempo. Mas também, achar que por meio dos seus recursos naturais você irá gerar discípulos, também é pura perda de tempo.

É preciso permitir, debaixo da liderança do Espírito Santo, que Ele nos use para edificarmos uns aos outros.

Então, é crucial nesse processo, ter um relacionamento íntimo com o Espírito Santo. Gerar discípulos é uma tarefa espiritual e não natural.

Os pais sabem o quanto foi preciso se esforçar em oração, jejum, exortação, amor, graça, dor, etc. para formar filhos para Cristo, cheios do Espírito.

Nós vamos apresentar diante de Deus os filhos espirituais que formamos e não apenas ganhamos. Ganhar é apenas o início de um processo maravilhoso.

Formar é o desafio da missão a nós confiada e faremos isso por meio do relacionamento. Mas ao final transferimos a mesma missão que a nós foi conferida.

Veja, o relacionamento intencional e com propósito é o meio de transferirmos a missão de continuidade em gerar discípulos.

Por isso anunciamos, advertimos, ensinamos, apresentamos e isso com fadiga e esforço que os relacionamentos as vezes impõe, com o objetivo de gerar discípulos.

Relacionamento sem intencionalidade e propósito não surtirá efeito na vida de ninguém. Eu tenho intenção e propósito em relacionar com você, que é gerar um (a) discípulo de Jesus.

Mas lembre-se, tudo isso é feito mediante o poder do Espírito Santo. Ser cheio do Espírito não é opção, mas condição para ser eficiente na missão a nós conferida.

O Espírito Santo estava envolvido no trabalho do apóstolo Paulo e está também no nosso. Todos nós estamos limitados ao tempo e espaço, mas o Espírito Santo não.

Por isso dar continuidade na obra de Deus por meio do poder do Espírito Santo é uma tarefa imprescindível a todos nós.

Só estamos aqui porque homens e mulheres cheios do Espírito, aceitaram o desafio de continuar fazendo discípulos em cada uma das gerações até hoje. Mas, agora para frente, é a nossa vez!

 

 

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