Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas? Não vivem entre nós todas as suas irmãs? (Mateus 13:55-56a)

Relacionamento é a essência da divindade. Isso pode ser visto na encarnação, pois quando Deus se fez gente, Ele se envolveu em todas as esferas dos relacionamentos humanos. Ele nasceu em uma família, mas poderia apenas ter se feito gente – porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão (Mt 3:9b).

Veja, Jesus teve pais humanos, mas não ficou por aí, Ele também teve irmãos. Muitos irmãos! Essas esferas de relacionamentos produziram tensões, mas Jesus não se eximiu dessa convivência (Jo 7:3-5).

Porque? Por que Ele deseja nos ensinar a maneira correta de nos relacionarmos. Depois da queda relacionamento se tornou um problema (Gn 3:12-13).

Quando Deus criou o homem e a mulher e os colocou no jardim, seu objetivo era que eles relacionassem com Ele. Esse relacionamento seria o modelo para que eles reproduzissem na família e demais pessoas.

Quando a redenção se completar plenamente, Deus mesmo estará conosco relacionando eternamente – Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles (Ap 21:3). A divindade sabe o que é relacionar em unidade.

Agora, não precisamos esperar por esse dia eterno. Podemos hoje aprender a relacionar com os homens por meio do nosso relacionamento com Deus.

Tenho afirmado que se relacionamos com Deus não temos dificuldade de relacionar com as pessoas. Nosso relacionamento com Deus nos modela para relacionarmos com os homens.

Então, precisamos ter consciência que a queda nos limitou em nossos relacionamentos e só no Senhor podemos ser restaurados.

Essa limitação produz erros no relacionamento que nos impedirão de avançar como pessoa, mas também como Igreja. Gostaria de falar sobre alguns erros no relacionamento.

1. Relacionar com base na velha natureza

O que isso significa? Veja, depois da queda o homem mudou a maneira de se relacionar. Na relação humana o primeiro efeito da queda foi a transferência de culpa. Adão disse: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi.

Deus não perguntou quem havia dado a ele da árvore, mas se ele havia comido – Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? A resposta era apenas sim ou não, mas ele quis se eximir do erro culpando a mulher.

Adão culpou a mulher para justificar o seu erro. E a mulher sucessivamente colocou a responsabilidade na serpente. Isso é muito comum nos relacionamentos.

Tanto Adão como Eva deixaram de assumir responsabilidades no relacionamento. Veja, Adão foi estabelecido para guardar, mas depois da queda de guardador passou a ser acusador (um dos nomes do diabo). E isso passou para Eva e para os demais seres humanos.

Paulo diz em 2 Coríntios 5:17: E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.

Estar em Cristo é sair das coisas velhas e viver na esfera da nova criatura. Porque? Por que a velha não serve para os planos de Deus!

Isso significa que sua relação com Deus e com as pessoas não terá proveito nenhum, mas é nenhum, se for baseada na velha criatura. Nada acontece, não tem edificação, não tem crescimento espiritual e pior te sentencia a ser uma eterna criança.

A infância é uma fase linda da vida, mas precisa passar, pois criança não sabe relacionar! Elas são aprendizes!

Como é um relacionamento com base na velha criatura? É um relacionamento que expressa falta de perdão, ressentimento, domínio sobre o outro, dissimulação, ciúmes, competição, manipulação, rejeição, indiferença, presumir o que o outro está pensando, vitimização, chantagem, fofoca, enfim, a lista é bem grande! Onde há tais expressões não tem como haver edificação e crescimento.

Todos nós somos tentados a expressar tais sentimentos em certos momentos em nossos relacionamentos.

Na hora da tentação você precisa escolher não relacionar por meio da velha natureza, mas pela nova criatura que você é!

Você é nova criatura não porque fez algo, mas porque ESTÁ EM CRISTO. Sua posição de dá condição de viver de uma maneira nova. Sua parte é apenas dizer não para as coisas antigas.

Por exemplo: Alguém te ofende, a questão agora é como você vai relacionar com essa pessoa. Você só tem duas escolhas. A primeira, ficar ressentida e todas as vezes que encontrar com essa pessoa você se blinda e não permite mais que você ou ela sejam um canal de Deus para a outra. Tudo que provêm dela é descartado porque você não tratou com a ofensa. Isso significa que você ainda se relaciona como velha criatura.

Agora, se você senta com essa pessoa e diz que ficou ofendida e pede perdão por ter ficado ofendida, o relacionamento cresce! Nessa hora é provável que o outro também peça perdão por ter ofendido, e assim, há uma decisão de viver pela nova criatura que ambos são. Nessa hora ambos evitam que se crie blindagens em si mesmo e continuam sendo um canal de Deus para o outro. Isso significa que optaram a relacionar com nova criatura.

Relacionar com base em quem você é em Cristo, nova criatura, não significa que não terá conflitos de relacionamento, mas que em todos os conflitos sua resposta será como a de Cristo. Sabe qual é o resultado? Não haverá relacionamentos rompidos, nem feridas diante dos embates que todos os relacionamentos enfrentam.

2. Ter expectativas muito acima da resposta do outro

Esse é um outro erro muito comum nos relacionamentos. Mas é importante entender que ter expectativas não é errado.

Todos nós temos expectativas com respeito a todas as pessoas que relacionamos. Insisto, não é errado tê-las! Errado é não ter nenhuma expectativa nos relacionamentos, isso sim é errado.

O problema é que as vezes você tem expectativas acima das respostas que o outro consegue dar. Nessa hora sua expectativa se torna um problema para você que está esperando uma resposta e para o outro que não consegue suprir seus anseios.

As vezes isso acontece conosco mesmo. Temos uma expectativa de nós mesmo e de repente não conseguimos responder a nós mesmo. Isso aconteceu com Pedro (Mt 26:33-35).

Ele colocou em si mesmo uma expectativa muito acima do que podia suportar. E quando caiu em si, negou conhecer Jesus e chorou amargamente (Lc 21:61-62). Isso acontece porque demoramos a entender que temos limites e que eles precisam ser trabalhados e expandidos.

Já vi relacionamentos serem quebrados por causa desse desequilíbrio de expectativa. Vi casos onde era legítima e santa a expectativa sobre o outro, mas o problema é que estava acima da resposta do outro. É importante entender que há expectativas naturais, mas também espirituais.

Quando você não sabe perceber o tempo das pessoas, provavelmente você projetará expectativas acima de suas respostas. E certamente teremos problemas no relacionamento.

Então precisamos discernir o tempo de resposta do outro, para assim, podermos promover o crescimento e avanço dele, e só depois, ampliarmos nossas expectativas.

Expectativas podem e devem ser ampliadas. Mas isso deve acontecer gradualmente por meio de relacionamentos saudáveis e investimento de vida.

3. Impor sua vontade sobre a do outro

Nem Deus Pai fez isso com Jesus, mas permitiu que Jesus decidisse alinhar a sua vontade com a Dele (Lc 22:42). E isso aconteceu pela oração e obediência ao entendimento de que a vontade do Pai era melhor. Independente de como seria ou quanto custaria.

Não há relacionamento onde há imposição. Todos nós vivenciamos impasses diante do conflito da nossa vontade e a do outro. E em todas as esferas dos nossos relacionamentos podemos errar nos impondo. Seja pais e filhos, entre irmãos, entre amigos, entre líderes e liderados.

Uma das coisas mais impressionantes da parábola do filho pródigo é que o pai não se impôs a nenhum dos filhos, nem ao pródigo e nem ao mais velho (Lc 15:11-32). Ambos estavam errados, mas o pai esperou que eles caíssem em si, pois não adiantava nada impor a eles.

Sua espiritualidade manifestou em sua paciência e atitude quando o pródigo voltou. Ele não destratou e nem ficou ressentido, antes recebeu com festa e alegria a volta do filho. O Pai espera de nós a mesma reação!

Preste atenção, não são as suas palavras, mas as suas ações e reações que definem sua espiritualidade! O Senhor está abrindo diante de nós um Novo Tempo de conquista e avanço. Diante disso precisamos crescer nos relacionamentos. Pois seremos conhecidos como uma família, a família Hebrom!

Família briga, mas resolve, pois não desiste do outro. Família cresce, por que um ajuda o outro. Família guerreia junto, por que é um exército com um só coração. Família amadurece, por que aprendemos a conhecer cada um dos irmãos e respeitar seus limites! Família ama, por que sabe o valor de cada um dos membros. Disponha a ser família na sua célula, discipulado, rede e Igreja local.

Conclusão

Nós estamos começando o ano e vamos avançar de forma extraordinária com Igreja. Agora é importante entender que os nossos relacionamentos é que sustentarão a edificação da Igreja.

Por isso precisamos aprender a relacionar e evitar tais erros para que a vontade de Deus para nós como Igreja não fique limitada.

 

 

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